ENTREVISTAS

Um ser humano por excelência

Se alguém ainda tem dúvidas sobre os benefícios à saúde, física e emocional, proporcionados pelo esporte, pelo amor à família e pela dedicação a instituições sociais, o associado Milton Veríssimo Ribeiro é, decididamente, o melhor exemplo a ser apresentado. Aos 90 anos*, ele conserva saúde, bem estar, lucidez, memória e disposição dignas de admiração. São atributos conquistados ao longo de toda uma vida de esportista, pai exemplar e cidadão participativo.

 

Gaúcho nascido em Porto Alegre, Milton construiu sua vida em Florianópolis, ao lado da esposa Maria Ernestina, falecida há seis anos, e com quem teve seis filhos. Apaixonado por atletismo, Milton fez história no esporte, competindo pela Associação Atlética Catarinense, Associação Atlética Barriga Verde e Clube Atlético Catarinense. Conquistou inúmeras medalhas e troféus nos 110 metros com barreira (recordista por três vezes na prova) e nos 400 metros com barreiras, além de ostentar, por dez anos, o recorde do salto em altura.

 

Quando seu pai foi morar no Rio de Janeiro, Milton tornou-se integrante da equipe de atletismo do Fluminense, entre 1946 e 1952, ano em que entrou no Banco do Brasil e pediu transferência para Florianópolis, cidade natal da esposa e onde continuou a praticar o atletismo, dessa vez no Figueirense, à época o único clube que oferecia essa oportunidade. Um ano depois, participou da fundação da AABB, clube que passou a frequentar e a representar em competições oficiais.

 

Aposentado em regime proporcional pelo Banco do Brasil, foi aprovado no concurso para docência na Universidade Federal de Santa Catarina em 1979, onde foi professor de Estatística no curso de Economia. Foi nessa época também que começou a participar da JECA pela AABB Florianópolis, competindo a natação, nas provas de 50 metros nado borboleta e 50 metros nado peito. Foram muitos anos de conquistas até que decidiu parar de competir no ano passado, aos 89 anos.

 

Atualmente, Milton mora com a filha Lúcia em Florianópolis, e ainda mantém a forma física praticando natação na piscina do condomínio. Para manter a boa saúde mental, brinca de palavra cruzada e revive toda a sua vida relatando os fatos relevantes em livros que faz questão de mostrar. “Já são 19, e o vigésimo deve ficar pronto em breve”, orgulha-se. Na entrevista a seguir, ele conta um pouco mais sobre sua vida no esporte e sua relação com a AABB. Confira:

 

O senhor é um dos sócios beneméritos da AABB. Como foi participar da fundação do nosso clube?

Foi uma honra fazer parte daquele grupo de pessoas que idealizavam a construção de um clube, de um local onde os funcionários do Banco do Brasil pudessem se reunir com as famílias e passar momentos de lazer e diversão. Alguns infelizmente já faleceram, inclusive o primeiro presidente, Norivaldo de Freitas. Mas a AABB se consolidou e hoje é um clube bem sucedido, com muito sócios e com ótima infraestutura.

 

O senhor sempre foi um atleta excepcional, com uma carreira invejável no atletismo e na natação. Quando começou a competir representando a AABB?

Logo que me aposentei do Banco do Brasil, comecei a acompanhar minha filha Lúcia, que jogava vôlei nas JECAs. E aí eu percebi que a AABB não ganhava medalhas na natação, e nas provas de 50 metros borboleta e 50 metros peito, nós não tínhamos nem representante. Foi quando eu decidi participar e, logo no ano seguinte, fui campeão nas duas provas, competindo na categoria “Veterano”, que era acima de 35 anos. Só que na época eu já tinha quase 60 anos (risos). Anos mais tarde foi criada a categoria “Veterano 2” (acima de 45 anos), mas aí eu já estava perto dos 70 anos. E mesmo assim, ainda dava trabalho para os meus adversários.

 

Além da JECA, o senhor também participou da CINFAABB. Como foi representar a AABB nessa competição nacional?

Foi uma experiência muito gratificante. Comecei nadando na categoria “Master”, que é para atletas de 65 a 70 anos. Depois dos 80 anos, passei a competir sozinho, até que resolvi parar no ano passado, em Goiânia, com 89 anos. Tenho ótimas lembranças dessas competições, como em 2009, em Curitiba, quando fui homenageado e tive o privilégio de carregar a tocha olímpica, juntamente com o Marcelo Negrão, ex-jogador de vôlei da seleção brasileira.

 

E a AABB hoje, o senhor frequenta com regularidade?

Participo do Grupo De Bem com a Vida, que é formado por funcionários aposentados do Banco do Brasil. Desde que o Juraci (Juraci Celestino da Silva, associado falecido em 2008) começou a organizar os encontros e os passeios, eu faço parte do grupo.

 

O senhor é uma referência até hoje no atletismo e na natação. Praticou algum outro esporte?

Joguei vôlei e basquete, mas não com a mesma dedicação e o mesmo desempenho. Futebol nunca joguei. Para falar a verdade, nunca chutei uma bola (risos). Mas tanto no atletismo quanto na natação, obtive muitos resultados expressivos e momentos inesquecíveis. Bati o recorde dos 110 metros com barreiras por três vezes e meu recorde no salto em altura durou 10 anos. Na natação, fiquei em 4º lugar no Sulamericano, que disputei pela Associação Brasileira Master de Natação aos 75 anos. E também treinei com o Xuxa (ex-nadador Fernando Scherer). Quando a piscina do Clube Doze de Agosto estava em reformas, ele passou a treinar comigo na AABB.

 

Com toda essa dedicação ao esporte, sobrava tempo para outras atividades?

Sim. Além do meu trabalho no Banco do Brasil e na UFSC, fui durante muitos anos o contador da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e da Associação Coral de Florianópolis, que é uma instituição que eu ajudei a fundar. Nos últimos anos tenho me dedicado a relatar um pouco da minha vida em livros. Já são 19, e o vigésimo deve ficar pronto em breve.

 

* Entrevista concedida em 9 de junho de 2014

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