AABB Florianópolis / SC

Meio Século de História

Solange Rech

Capítulo III: AS SEDES PRÓPRIAS E O IMOBILIZADO

Essas improvisações salvadoras duraram até novembro de 1955, quando a AABB passou a funcionar com sede própria, em prédio alugado na Praça Pereira e Oliveira (onde hoje se localiza a Embratel), imóvel que foi incorporado ao patrimônio do clube no ano de 1958. Tratava-se de uma casa espaçosa, em estilo clássico, composta de térreo e porão cimentado.
Segundo avaliação da empresa CONCITEL – Construções Civis e Terraplenagem Ltda., de 16.01.1958, o prédio possuía “dois salões, sete quartos, uma cozinha, uma dispensa, uma dependência com instalação sanitária e dois varandões laterais”, e valia, a moeda da época, Cr$ 3.911.000,00. As instalações eram suficientes para abrigar o bar, a sala de sinuca, churrasqueira, sala de jogos de mesa, como dominó, salão e residência do zelador. Mais tarde, a AABB cedeu espaço dessa mesma sede para acolher a cooperativa de consumo.
Segue uma síntese da transação imobiliária, quando da compra:
Prédio Praça Pereira e Oliveira (compra): Adquirido de Delorme Souza (Florianópolis), por Cr$ 3.050.000,00 – escritura de compromisso de compra e venda lavrada no Cartório do 1º. Ofício, em 20.02.58, área de 1.081,76m2. mais prédio preexistente. Pagamento feito em parcelas. Presidente da AABB: Ned Mund; Diretor Tesoureiro: Harry Corrêa. A escritura Pública de Compra e Venda, definitiva, foi lavrada no 2º. Ofício, em 31.12.58, sendo Presidente Harry Corrêa e Diretor Tesoureiro: Norivaldo de Freitas.

 

Na primeira sede, por duas vezes, foi assado um boi inteiro. Consta que, numa das vezes, como o boi fora costurado na barriga, a carne não teria ficado bem assada, pois o calor não fora suficiente para alcançar o lado interno.

1. A sede balneária de Canasvieiras

A lagoa visível na foto já não existe, resultado de drenagem e aterro feitos no terreno.

Adquirido na gestão de Harry Corrêa, o terreno de Canasvieiras mede mais de 12.000 m2., localizado em ponto nobre da praia, fazendo frente à rua Madre Maria Vilac (asfalto) e fundos para o mar. Era usado, no começo, como local de férias dos associados, que, por inscrição e sorteio, ocupavam uma casa de madeira que lá existia para esse fim (foto acima). Mas, pela limitação física da habitação, eram poucos os que podiam usufruir esse patrimônio, sem contar a deficiência das acomodações. Aos poucos, foi sendo usado como camping, utilização que lhe é dada desde a década de 70. Moto-homes, trailers e barracas de vários tipos ali se acomodam, sendo que muitos dos assíduos freqüentadores vêm de fora, até mesmo de outros estados. A cada verão, o reencontro das pessoas, tradicionais usuários, é uma festa onde os abraços dizem mais do que qualquer palavra. No verão funcionam plenamente as instalações, que constam de bar/restaurante, churrasqueira e campo de areia.

A agência do Banco e as lojas no terreno de Canasvieiras, à rua Madre Maria Vilac, implantadas na gestão de Alcides Emanuelli (93/96), garantem uma receita fixa para a AABB, que ajuda a custear as despesas da sede.

 

 

 

Terreno de Canasvieiras (compra): O imobilizado da AABB foi enriquecido com a compra do terreno de Canasvieiras. Conquanto impusesse o Banco a obrigatoriedade de sua venda, ele se conserva até hoje na posse e domínio do clube, utilizado como camping. Também abriga uma agência do Banco do Brasil e lojas comerciais. Os dados relativos à sua aquisição são os seguintes: Adquirido de Manoel Félix Cardoso pelo preço de Cr$ 165.000,00 (cento e sessenta e cinco mil cruzeiros), conforme escritura pública de compra e venda de 12.02.59. Área adquirida de 7.321,37 m2 mais terras de marinha medindo 4.974,42 m2, perfazendo uma área total de 12.295,79 m2. O presidente da AABB era, então, Harry Corrêa.

Do livro de Atas: O primeiro zelador da AABB foi José Evaristo Pereira, cuja contratação foi autorizada pela diretoria em reunião de 18.01.1956.

2. O imóvel de Itaguaçu

Apesar da ótima localização da sede à rua Pereira e Oliveira, entendiam os dirigentes que a Associação precisava de uma área maior, na qual fosse possível implantar uma infra-estrutura mais condizente com o que os associados esperavam de seu clube, tal como ginásio de esportes, piscinas, campos, etc. Várias hipóteses foram examinadas, até que, em 1971, surgiu a possibilidade de adquirir o imóvel de Itaguaçu.

A venda do patrimônio localizado na Praça Pereira e Oliveira se tornou imperiosa, pois a AABB precisava, com o valor apurado, pagar a nova aquisição. Os preços da venda e da compra praticamente empataram. Na ocasião, a diretoria recorreu ao governador Colombo Salles, sugerindo a aquisição da antiga sede pelo estado, à vista do valor arquitetônico e histórico da construção. O Senhor Governador, entretanto, alegando inexistência de recursos, nada pôde fazer para preservá-la.

Terreno de Itaguaçu: Adquirido de Aderson Horn Ferro, residente no RJ, por Cr$ 700.000,00. Pagamento feito à vista. Escritura pública lavrada no Cartório do 2º. Ofício, em 06.08.71. Área de 26.204,00m2., contendo duas casas, uma das quais era o Castelinho, preservado até hoje. Presidente da AABB: Edu Marques. Diretor Tesoureiro: Roberto Teixeira Faustino da Silva.

PRATA DA CASA

ELÓI INÁCIO CARMEZINI
Funcionário aposentado do BB, nasceu em Pinheiral, município de Major Gercino (SC), em 1942. Com oito anos de idade começou a se dedicar a trabalhos de escultura, tendo por primeiro mestre um agricultor polonês, de nome José Voitena, que o ajudou a esculpir uma perna de boneco para o teatro de marionetes, utilizando uma faca de sapateiro. Como seu pai era carpinteiro, fica fácil explicar sua habilidade com formões e outros instrumentos utilizados para moldar a madeira. Em síntese, um mestre, um pai carpinteiro, as aulas de desenho do colégio e a habilidade inata de Carmezini fizeram dele um escultor de renome. Além de outras habilidades, é escultor em madeira, pedra, argila e bronze, bem como pintor e desenhista. Sua obra em escultura e pintura – espalhada por vários países das Américas, da Europa e do Oriente Médio – já ultrapassa um milhar de peças e continua crescendo a cada dia. Os desenhos, em papel “canson” somam-se às centenas. Fez várias exposições. Assim o artista se define: “A minha arte não se preocupa com estilos, movimentos, modismos ou opiniões críticas. Pinto telas e crio esculturas das coisas e seres que estão no meu ambiente, com a visão da minha cultura”.

TRÊS GRAÇAS – 1980 – escultura em madeira.